Identificando a dependência química de álcool e outras drogas

Quando surge a suspeita de que um familiar ou amigo está usando crack é possível identificar o seu consumo através da observação do comportamento da pessoa. De acordo com o psiquiatra e vice-diretor do Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas (CPAD) da Universidade do Rio Grande do Sul, localizado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Felix Kessler, para detectar o uso da droga é preciso estar atento aos hábitos e atitudes do suspeito, mas reconhece que apenas isto não basta. “Infelizmente, não há uma forma simples de detectarmos o uso de drogas que não seja através do exame toxicológico e do monitoramento do comportamento do usuário”, explica.

O ideal, segundo ele, é verificar se o comportamento é compatível com os sintomas – hiperatividade, insônia, perda de apetite e de peso, além da perda dos dentes – e, em seguida, conversar com a pessoa, sugerindo consulta e orientação com médicos especialistas.

O psiquiatra salienta que o diagnóstico de dependência de crack é recente e que médicos especialistas na droga trabalham para desenvolver um método eficaz, que garanta a recuperação de mais pessoas. Ele cita como exemplo o trabalho realizado no CPAD. “Utilizamos a principal escala de avaliação de dependentes químicos no mundo. Trata-se do questionário Addiction Severity Index (ASI), desenvolvido na Filadélfia com o objetivo de avaliar dependentes químicos. O questionário é baseado em uma entrevista realizada com pacientes adultos, onde são apuradas informações sobre fatores relacionados ao uso de álcool e drogas. Dessa forma, as respostas revelam como a droga age em todos os aspectos da vida do usuário. Após o relato, é verificada qual a real necessidade do paciente, que recebe a devida intervenção terapêutica”, comenta.

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